Um dia disseram-lhe:
- Eu compreendo o que sentes, na vida há pessoas que dão pequenos passos de cada vez. Outras, não dão passos mas saltos. Eu dou saltos e tu, se calhar, também.
Alice não compreendeu. Ripostou, blasfemou amuada pensando: E há aqueles quem nem saltos nem passinhos.
Alice estava enganada.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Um outro beijo na atmosfera
Ouvia-se um motor a roncar. Uns saltos dos sapatos de verniz trotavam no cimento enquanto a mulher de meia idade corria para o comboio.
Menos de um minuto e partiria.
Ela estava dentro do comboio a carregar sucessivamente no botão da porta para que esta não interferisse nos seus últimos momentos juntos do dia.
Ele estava fora do comboio a tentar não tapar a passagem às pessoas que tentavam a ultima corrida para não o perder.
Nos últimos segundos um homem deu um encontrão ao rapaz, que se desequilibrou e deu alguns passos para trás.
Ela, atónita com o acontecimento, olhou-o e ele lançou-lhe um beijo pelo ar mas a porta fechou-se.
E o beijo ficou perdido no ar.
Quantos existirão perdidos?
Menos de um minuto e partiria.
Ela estava dentro do comboio a carregar sucessivamente no botão da porta para que esta não interferisse nos seus últimos momentos juntos do dia.
Ele estava fora do comboio a tentar não tapar a passagem às pessoas que tentavam a ultima corrida para não o perder.
Nos últimos segundos um homem deu um encontrão ao rapaz, que se desequilibrou e deu alguns passos para trás.
Ela, atónita com o acontecimento, olhou-o e ele lançou-lhe um beijo pelo ar mas a porta fechou-se.
E o beijo ficou perdido no ar.
Quantos existirão perdidos?
sábado, 12 de setembro de 2009
êxodo pelo funeral
Aos poucos, tudo vai perdendo a graça que tinha.
A cidade está deslavada, nem cinzenta melancólica pedindo caminhadas silenciosas enroladas em
passos abraçados, nem luminosa antevendo gargalhadas cúmplices e apaixonadas.
Aos poucos, tudo perde a vida,
as pessoas deixam de ter o interesse das vivências que lhes procurávamos no olhar e já não lhes
consigo achar piada. Nenhuma.
A cidade maravilhosa está a destruir-se.
São ruínas a cada passo, ruínas.
Está a morrer. Morrer… Vai desaparecer…
É preciso lutar! É preciso reactivar os batimentos! Acudam-na! Ajudem!
Não a deixem morrer!
Pum pum… pum…pum…pum…...pum……… pum…………pum.
Era esperado.
Resta-lhe um funeral feliz. Sem percalços.
Que a faça descansar em paz, sob uma linda tabuleta onde reluza a palavra Amor.
Faça-se-lhe o luto.
E mudem-se para outra cidade.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Pasión
No me olvides
yo me muero
Amor
mi vida es sufrimiento
Yo
te quiero en mi camino
Por vos
cambiaba mi destino
Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos.
Tengo
un corazón penando
Yo sé
que vos lo está escuchando
Con
mil lágrimas te quiero
Pasión
sos mi amor sincero
Ay,
abrázame esta noche
aunque no tengas ganas
prefiero que me mientas
tristes breves nuestras vidas
acércate a mí
abrázame a ti por Dios
entrégate a mis brazos
Gosto de tango. É bonito. É romântico. É carnal. É sensual. É maduro.
domingo, 16 de agosto de 2009
tsigane
Quando oiço tambores, fanfarras e bandas filarmónicas fico sempre com aquela sensação platónica e nómada da chegada do "circo à cidade".
É um misto surrealista entre o gosto de ver o acudir das pessoas que se juntam na rua a ver passar, o desejo sádico de ver acontecer algo inesperado e ao mesmo tempo a ansia do corpo, e do espírito, livre que se permite viajar para onde o vento levar.
Quer dizer, não sei se é bem, bem isto, o que sinto mas que mexe comigo,mexe.É o desejo escondido de ser entrar numa caravana e ser cigana por tempo indefinido.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Ai.
Ai, Margarida,
Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.
Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.
E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.
Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.
Álvaro de Campos
bolor
Sentados na soleira da porta depois de almoço enquanto a avó lavava a loiça, o menino perguntou ao avô:
- O que é o amor?
O velho espreitou pela porta da cozinha, tirou o chapéu, coçou a cabeça e quando se preparava para responder, a velha apareceu à porta e, amargurada respondeu ao neto:
-O amor? Pfff, oh filho! O amor uma migalha bolorenta numa antiga caixa ferrugenta de metal.
- O que é o amor?
O velho espreitou pela porta da cozinha, tirou o chapéu, coçou a cabeça e quando se preparava para responder, a velha apareceu à porta e, amargurada respondeu ao neto:
-O amor? Pfff, oh filho! O amor uma migalha bolorenta numa antiga caixa ferrugenta de metal.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Apagar...
... tudo o que escrevi, tudo o que pensei, tudo o que desenhei, tudo o que falei, tudo o que fiz, tudo o que fui.
Fugir. Sem deixar rasto.
Fugir. Sem deixar rasto.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Alice canta Jorge Palma
Não é que ela viva do sonho de ter alguém
Mas tem uma esperança guardada de ser feliz
Não é que ela não acredite em ser mulher
Mas se alguém a quer e a seduz ela não diz
Então ela troca as palavras e fecha a luz
E pensa outra vez que o amor lhe escapou por um triz
(...)
Não é que ela esteja encalhada junto ao farol
Mas tem uma vela pintada por outra mão
Não é que o vento a amachuque mais do que o Sol
Porque o vento é sempre mais fraco que a solidão
Como as certezas são mais caras que as opiniões
E quando ela olha para o leme não há capitão
Mas tem uma esperança guardada de ser feliz
Não é que ela não acredite em ser mulher
Mas se alguém a quer e a seduz ela não diz
Então ela troca as palavras e fecha a luz
E pensa outra vez que o amor lhe escapou por um triz
(...)
Não é que ela esteja encalhada junto ao farol
Mas tem uma vela pintada por outra mão
Não é que o vento a amachuque mais do que o Sol
Porque o vento é sempre mais fraco que a solidão
Como as certezas são mais caras que as opiniões
E quando ela olha para o leme não há capitão
segunda-feira, 11 de maio de 2009
a cidade
Já viste, meu amor, o silêncio da cidade?
Já ouviste o acender das luzes quando a noite cai?
Meu amor, já sentiste o cheiro do pão quente quando
na madrugada o cantoneiro o empurra com bagaço?
Já cheiraste na esquina da avenida o calor dos amantes
pagos que se enrolam na escuridão?
Já saboreaste os ecos do Martim Moniz, da Mouraria, do Intendente?
Meu amor, já te enamoraste pelas ruas do bairro
quando já bebido se deixa falar por si?
Já te tocaste pela luz dos miradouros?
OH então como podes tu dizer que sabes bem o que é o amor?
Como podes tu condenar-me por não te conseguir amar se não despertas em mim a excitação de uma cidade inteira?
(em fase de construção)
Já ouviste o acender das luzes quando a noite cai?
Meu amor, já sentiste o cheiro do pão quente quando
na madrugada o cantoneiro o empurra com bagaço?
Já cheiraste na esquina da avenida o calor dos amantes
pagos que se enrolam na escuridão?
Já saboreaste os ecos do Martim Moniz, da Mouraria, do Intendente?
Meu amor, já te enamoraste pelas ruas do bairro
quando já bebido se deixa falar por si?
Já te tocaste pela luz dos miradouros?
OH então como podes tu dizer que sabes bem o que é o amor?
Como podes tu condenar-me por não te conseguir amar se não despertas em mim a excitação de uma cidade inteira?
(em fase de construção)
sábado, 9 de maio de 2009
At Mars
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Um beijo na atmosfera
Vinha como sempre, esbracejando, blasfemando contra o mundo, cantando.
Chegou ao café e cumprimentou a jovem:
- Boa noite minha senhora! Que bonita que está hoje!
- Obrigada senhor Magalhães - respondeu a rapariga.
-Dê cá um beijinho - disse o homem inclinando-se à testa da rapariga que ficou sem saber como afastar o beijo indesejado.
O homem percebeu e dissimulando disse:
- Querias! Querias ah ah ah! (Muaac) Este, este é da atmosfera.
E o beijo ficou perdido no ar.
Quantos existirão perdidos?
Chegou ao café e cumprimentou a jovem:
- Boa noite minha senhora! Que bonita que está hoje!
- Obrigada senhor Magalhães - respondeu a rapariga.
-Dê cá um beijinho - disse o homem inclinando-se à testa da rapariga que ficou sem saber como afastar o beijo indesejado.
O homem percebeu e dissimulando disse:
- Querias! Querias ah ah ah! (Muaac) Este, este é da atmosfera.
E o beijo ficou perdido no ar.
Quantos existirão perdidos?
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