sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Árvore


E, por fim, tudo se destrói, desvanece e cai e eu tento, como uma árvore, permanecer em pé, altiva e frondosa enquanto as folhas caem e os pássaros que se aninharam nela a abandonam aos poucos.
Ainda sinto o Teu cheiro no meu corpo e dói por ser a ultima vez. Como no momento em que a última flor que não deu fruto foi levada pelo vento e se deixou de sentir o seu aroma por entre as folhas quase secas.
Ainda sinto as cócegas que me fazias no corpo e na alma e todas as borboletas que fervilhavam na minha barriga, como as crianças que nos dias de primavera descansam ou brincam às escondidas debaixo da copa.
Em mim, o Outono também chegou.
E ficou.
O Inverno vai entrando de mansinho enquanto se espera uma nova Primavera, que traga novas folhas, novos pássaros e frutos. Novas crianças e um cheiro intenso novamente.
Porque as árvores, embora morram de pé, sobrevivem ao Inverno. Fortes. Serenas e Esperançosas ao regresso da Primavera.

Um comentário:

Flyhigh_Girl disse...

E vais continuar a ser marcada pelas estações... Agora, faltam-te aquelas cócegas, aquelas borboletas na barriga em especial. Depois, hão-de faltar-te as cócegas pelas cócegas, as borboletas na barriga pelo que são, não por quem as desponta... Depois, o vazio. Por fim, nova Primavera ;) São estas estações que fazem da árvore o que é, com todas as suas marcas e todos os seus anéis que mostram o quão boa ou quão má foi cada época da sua vida.

Nós somos como árvores (as árveres somes nozes lol =P) - se não nos arrancarem a raíz, sobreviveremos. As tuas raízes são fortes e não é a dureza de um Inverno que as pode atingir.

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